30.10.06

sopa de letrinhas



Sim, as pimentas estão cada vez menos 'inhas'. Cada vez mais apimentadas (não páram um segundo, embora no fundo não haja quem negue que na verdade são é dois docinhos) e cada vez mais 'pessoinhas'. Prova disso é o vocabulário das duas, que cresce a olhos vistos. Abaixo, o glossário do trá-la-lá das meninas:

mamãiiiii ou mamãiêêêê - mamãe
páááá, papáááá ou papati - papai
mamá - mamar
papá - papá (comida)
papá - sapato
bóia (Ana Luz) ou bolá (Estrela) - bola
nenêêêê - chamando uma a outra
bobóóó - vovó
Báááá - Fátima (babá)
iááááá - Sílvia (a moça que trabalha aqui em casa)
auauaua - cachorro
cocó - cocoricó (programa da Cultura)
aba - água
abi - abre (com garrafa de água ou algo que o valha na mão)
sssss - xixi
manãna - banana
maummm - mão
nonhonho - não
mamaum - mamão
exi - esse
tá (Estrela) ou tatá (Ana Luz) - tá bom
páia - pára (quando a gente aperta ou amassa demais - acontece...)

Isso, o que a gente entende. Porque tem ainda o vasto universo da tagarelice que rola o dia todo e que a gente só intui, mas não dá pra reproduzir.
Silêncio? Só daqui a alguns anos.
Ainda bem.

11.10.06

o que é meu é seu



Tudo bem que coração de mãe derrete mesmo por qualquer coisa. Tudo bem.
Mas ontem aconteceu um negócio por aqui que eu aposto um dedo como derreteria até os corações mais rochosos por aí. Aposto.
O fato: estávamos ontem à noite aqui em casa e o Rê foi comer um pouco de sucrilhos. Só os flocos, secos, sem o leite. Bom, as meninas são loucas por sucrilhos (tá, elas são loucas por tudo o que a gente come, mas isso não vem ao caso), e bastou ver o pai com o potinho na mão que lá foram as duas se pendurar nas pernas dele pedindo um bocado. O Rê, pra poder comer (mais ou menos) sossegado, teve a idéia brilhante: foi até a cozinha, pegou um potinho pra cada uma e pôs lá uma porçãozinha de sucrilhos para elas comerem sozinhas.
Pois bem. Lá se foram as duas, felizes da vida, sentar bonitinhas no sofá, cada qual com seu potinho entre as pernas. E mandaram ver nos floquinhos de milho.
Acontece que a Estrela, toda comedida, foi comendo tranquila, floquinho por floquinho. Calma e placidamente. Enquanto que a Ana Luz, gulosa feito ela só, ia enchendo a mão e enfiando os sucrilhos aos montes na boca.
Como era de se esperar, rapidinho o potinho da Ana Luz ficou vazio. E ela, mais que depressa, virou para o lado do pai estendendo as mãozinhas abertas, como quem diz 'acabou', e fazendo cara de quem já já vai começar a reclamar.
Estrelinha? Olhou para o pai, pra mim e para a irmã. Enfiou a mão no seu potinho e começou a tirar os punhados de sucrilhos e a passar tudo para o potinho da irmã.
Ana Luz, feliz da vida, abriu um sorriso de orelha a orelha. E Estrelinha também, feliz da vida de ver a irmã feliz.
Agora confessem: é ou não é para babar à vontade, por um mês, pelo menos?
Coisa mais linda essas minhas filhas.