19.6.07

qua-qua-ra-qua-quá



Digam-me com sinceridade: existe coisa mais gostosa na vida do que risada de criança?
É um riso absolutamente puro, espontâneo, sincero, verdadeiro. Um riso inteiro, tão de dentro que a gente, ouvindo, não consegue se conter e acaba rindo também.
Eu, quando as meninas começam a rir, e às vezes até a gargalhar, fico toda derretida, os olhos enchem de lágrimas. Fico sem saber se choro, se rio, se babo, se faço tudo junto.
Aqui em casa, a Ana Luz é a palhaça oficial. Eu não sei se é alguma 'síndrome de irmã mais velha' - ainda que só catorze minutos mais velha - , mas o fato é que ela adora fazer micagens e macaquices para a Estrela, e se diverte em dobro vendo a irmã rir da palhaçada.
Dia desses, estavam as duas tomando banho na piscininha que fica dentro do box. Ana Luz pegou uma colher de plástico que boiava entre os brinquedos, enfiou o cabo na boca e começou a sacudir, de um lado para o outro. Estrela achou uma graça imensa nesse gesto tão corriqueiro, e desatou a rir de um riso gostoso que só, cheio de vontade. Riu, riu, riu. Se esbaldou de rir, enquanto Ana Luz continuava a palhaçada, cada vez mais animada com a reação do público-irmã. Mas o melhor foi o grand finale da cena: Estrela riu tanto que até cansou. Encostou gostoso na beira da piscininha e soltou um suspiro: ai, ai, ai...
Eu me aguento?

15.6.07

irmãzinhas

Tem uma coisa bacana demais que só quem tem filhos gêmeos vivencia, que é a descoberta da relação um com o outro. Claro que isso também acontece com irmãos de idades diferentes, mas de outra forma. As meninas, aqui, têm uma a outra como grande referência e companhia desde sempre. Elas não tiveram que 'adaptar-se' uma à presença da outra, porque elas nem conhecem a realidade de outra forma. E isso é muito legal de se ver. O quanto elas se sentem ligadas, o quanto sentem falta quando a outra está distante, o quanto curtem a presença da outra, seja para brincar, bater papo ou até disputar... sim, também acontece, natural e sem neuras.
Agora então, que estão começando a falar (e como falam!), é o maior barato ver os altos papos que rolam entre as duas. Elas se entendem, se comunicam, se ajeitam. Uma sempre entende o que a outra está querendo dizer. Brincam, fazem palhaçada uma para a outra, pedem coisas, inventam brincadeiras. Riem, e como riem. Tão gostoso ficar de fora, só ouvindo aquelas gargalhadas. É como ganhar a vida de presente. Coisa que renova, mesmo.
E o mais bacana de tudo é que essa relação tende a só fortalecer, quanto mais elas cresçam. Claro que elas vão ter suas diferenças, suas disputas, seus desentendimentos. Tudo dentro do rumo natural das coisas, de duas pequenas criaturas que estão delimitando os limites do seu mundo, de sua personalidade. Mas eu sinto, e é uma certeza tão intensa que nem sei explicar, que elas vão construir dia a dia uma amizade bonita demais. Uma relação carregada de carinho e companheirismo, uma coisa bonita mesmo de se ver.
E eu? Bom, vou estar sempre aqui, né?
Só olhando. E babando.
Sim, isso sempre.

6.6.07

pequenas imitadoras



Agora há pouco, chegando em casa vindo do supermercado e do parquinho - sim, tudo feito com as pimentas a tiracolo. Eu, preguiçosa que estava sem a menor vontade de subir e pegar a chave para liberar o carrinho de compras do prédio, dei uma sacola para cada pimenta - das mais leves, claro, exploradora de crianças é que não sou! -, ajeitei o resto nas mãos, um monte de sacolas em cada, e vim subindo. Chegando no hall do elevador, chamei e, como estava tudo pesado, apoiei as sacolas no chão, curvando-me e soltando um 'uf!' de alívio. Qual não foi minha surpresa ao ver as pimentas, cada qual com seu saquinho em mãos, apoiado no chão, com os corpinhos curvados igualzinho a mim, a soltar também seus suspiros exaustos: 'uf!'.
Lembrei na hora do vídeo "Children see, children do", que vi no You Tube há um tempo atrás. Pra quem não viu ainda, dê uma buscada por lá que não deve ser fácil de achar, e bota mesmo a gente pra pensar.
É. O exemplo é uma coisa poderosa. Para o bem e para o mal.
Ai, que meda! :O)