16.7.13

Menos, mamãe, menos!


Chiara tem o hábito de me dizer, com um sorriso de orelha a orelha e de um jeitinho tão fofo que dá vontade de morder, bem assim:

- Mamãe, você é 'legal pá calamba'!!

Dia desses, a bichinha chega em mim:

- Mamãe, você é legal.

Joguei verde, tentando colher maduro:

- Eu sou legal 'pá calamba', filha?

E a pequena, com um olhar displicente e sem a menor piedade:

- Ah mamãe! Também não exagera, vai...

=/

15.7.13

Gato por lebre


Estrela, confundindo alhos com bugalhos ao ver a irmã com um broche pendurado na blusa:

- Olha, olha, a Kiki tá com um brechó!!!

=D

10.7.13

Gente 'diferenciada'


Ana Luz, trazendo a velha e boa luta de classes para a brincadeira com as irmãs:

- Então, você andava de carro, e eu não tinha dinheiro e eu andava só a pé...

E finaliza, em tom desgostoso:

- Eu era uma excluída!

=/

9.7.13

Quem sai aos seus


Chiara, ao vestir-se depois do banho em um destes dias horrivelmente gelados com os quais o inverno paulistano tem nos presenteado:

- Mamãe, por que todo dia agora a gente fica assim com muito frio e tem que botar tanta roupa que a gente nem consegue ser feliz?

Pois é, a maçã não cai mesmo longe da árvore.

:-/

3.7.13

Estrela e o primeiro livro


E no rastro da irmã, lá se foi Estrela, aventurar-se também  na primeira leitura 'de verdade' da vidinha dela.

E como ela é ela e nenhuma outra, tipo ponto fora da curva (que outra criança pede, aos pulinhos, salada de alcachofra, macarrão com rúcula e sorvete de macadâmia??), a escolha foi, digamos, excêntrica: "A diaba e sua filha", um conto singular da autora francesa de origem senegalesa Marie NDiaye.

Leu de uma sentada, concentrada e querendo saber das palavras mais incomuns aqui e ali. Depois resumiu a história com displicência, como quem já está com a cabeça em outro lugar. Bem do jeitinho dela.

Vai minha menina moleca, segue adiante que o tempo não para.

De braços abertos, de olhos atentos, vai que uma vida inteira te espera. E há de ser tudo lindo.

2.7.13

Ana Luz e o primeiro livro


A primeira vez, sabem como é, a gente nunca esquece.

A primeira vez de um filho, também não.

Ana Luz, minha pimenta-primogênita, anda às voltas com o primeiro livro 'de verdade' da sua vidinha. Digo 'de verdade' porque livrinhos com histórias curtas e muitas figuras, ela já lê há algum tempo.

E logo de primeira, já escolheu bem: foi de Pedro Bandeira, 'O Mistério da Fábrica de Livros'. Sugestão e empréstimo da cunhada (dela) Aninha, que acertou na mosca. Pedro Bandeira, diga-se de passagem, foi um dos autores emblemáticos da minha pré-adolescência (é, os Karas formaram meu caráter).

Filha de peixe, peixinha é - por isso, a bichinha se atracou com o livro e devorou em dois dias. Foi com o livro aberto para o café da manhã, para o trajeto de carro, levar a irmã ao retorno com a pediatra, para o almoço, para a janta, para a escovação de dentes e para a cama.

É, minha menina. Você cresceu, e eu quase que nem vi. E como é bonito te ver assim, descobrindo uma paixão que também é a minha, folheando as páginas de um mundo todo novo, imenso, tão grande quanto esse seu coraçãozinho curioso.

Daqui pra frente, meu amor, é ao infinito e além.